quinta-feira, outubro 20, 2005

O olhar de Ildo

Eu tinha de nascer num país de morna e rodeado pelo mar. Palavras de quem viveu a cantar e na despedida, a sua voz foi celebrada com um disco eterno. Ildo Lobo partiu há exactamente um ano. Deixou um mar de saudade e um disco inédito, Incondicional.

Muitas homenagens depois, a memória de Ildo Lobo continua viva. Nunca um artista deixou tamanha saudade como o vocalista dos Tubarões. Prova disso é a romaria de familiares, amigos e admiradores que o acompanharam até a sua última morada, a 20 de Outubro de 2004. E no ar, a certeza de que Cabo Verde perdera o mais emblemático intérprete de mornas e da música de intervenção do pós independência.

Dono de um percurso musical aclamado, a carreira de Ildo Lobo foi marcada pelos 20 anos de permanência nos Tubarões, ao longo dos quais gravam sete discos, sete clássicos da música popular cabo-verdiana. Há dez anos, lançava-se na carreira a solo com Nos Morna, com clássicos da morna, uma disco sublime. Em 2001, surgiria o Intelectual, álbum com várias canções de Betu, compositor maiense.

E por fim, Incondicional. Lançado a título póstumo, no dia em que completaria 51 anos, e na terra que o viu nascer. Pedra de Lume. E assim cumpria Ildo Lobo o seu ciclo de vida. A sua arte, pelo contrário, já é património, é público. É nosso.

1 Comments:

Anonymous Vavá fla ma...

Nem mais: "A sua arte, pelo contrário, já é património, é público. É nosso."
Na vida djan ta pensaba ma Ildo Lobo e tudo qui ê ta representaba dja era nos património.

3:24 da tarde  

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