sábado, novembro 27, 2004

A profissionalização do Raiz


Sobre a profissionalização do grupo Raiz di Polon. Consequência do sucesso ou imposição das dificuldades? Segundo o coreógrafo do grupo de dança, trata-se da cumplicidade das duas questões.

Apesar da internacionalização, que faz do Raiz um dos grupos africanos de dança mais requisitados para espectáculos em todo o mundo, a vida dos bailarinos não tem sido mangui doxi.

"Nós enfrentamos três grandes dificuldades: o espaço de ensaio, no Casa Padja, precisa de melhorias. Outra dificuldade é sair de Cabo Verde por causa do custo das passagens. Metade do cachê pago pelos programadores internacionais é gasto em passagens. O pior é que temos de viver durante um ano com o dinheiro ganho em dois ou três meses de turnês. Naõ chega".

O que o grupo que é uma "profissionalização parcial" através da atribuição de um subsídio anual por parte do governo de Cabo Verde. "Com um ano de antecedência, o Governo nos concederia um subsídio de acordo com as turnês previstas para o ano inteiro. Se tivermos seis meses de turnê, a verba seria proporcional a esse período de actividade", explica o coreógrafo.

O Raiz di Polon está aberto a negociar essa proposta com o Ministério da Cultura, embora acredite que haja pouca sensibilidade dos governantes para o financiamento de grupos culturais. Mas o grupo está disposto a oferecer contrapartidas à sociedade, como formações e espectáculos de dança abertos ao público.

Os eventos em que o Raiz participa têm uma vertente formação muito forte, nos domínios da produção e gestão culturais. É essa experiência que pretendem oferecer à sociedade, como contrapartida pelo eventual subsídio do Governo. Mas o Raiz já merece esse subsídio há muito, por levar a bandeira de Cabo Verde aos quatro cantos do mundo.


1 Comments:

Blogger Gafanhotu fla ma...

O grupo raiz di polon e o Manu são uns guerreiros numa terra onde a actividade de produção não é levado a sério em todas as suas dimensões de modo a que o artista se preocupe apenas com a actuação, deixando todo o trabalho que envolve os recursos a cargo de produtores profissionais que ai se encarregam de executar o seu trabalho.
O que se vê é uma necessidade enorme de valorizar o artista servindo-o de condições de actuação e encarrando a produção artistica como algo sério que envolve qualidade e eficácia e portanto tem de ser executado num nível profissional moderno.
A sobrevivência e crescimento dos grupos nacionais carecem dessa abordagem e se eles merecem cabe ao estado (ministério da cultura)promover e dar condições reais onde os objectivos e metas devem ser claros e os resultados tem de ser medidos, avaliados e responsabilizados/premiados. Se não continuamos a fazer um jogo hipócrita de reconhecer valores posteriormente ou somente quando se é reconhecido no exterior.

10:28 da manhã  

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